De entre os vários blogs de fotojornalistas, chamou-me recentemente a atenção o do Mark Hancock. Numa altura em que as opções empresariais e a voracidade tecnológica empurram o debate destas questões para os académicos, é bom ver os também profissionais na liça. As questões que ele coloca são incontornáveis. Uma das que mais debate tem gerado diz respeito à manipulação digital de imagens. Se tivermos em conta que grande parte do poder da imagem jornalística, sempre assentou no seu carácter de testemunho, de “prova”, a possibilidade de violação do pacto presencial (para haver imagem da coisa a coisa teve de perante a câmara) faz soar todas as campaínhas alarmistas.
Na verdade, manipular imagens sempre foi possível; a diferença é que a tecnologia permite, hoje, fazê-lo melhor e por mais gente. Na origem do problema está a honestidade e a responsabilidade decorrente do contrato social que os jornalistas estabelecem com o público: manipular imagens é mentir. Ponto. Alegações, ainda que puramente técnicas, solicitando intervenção para equilibrar a luz, temperar a cor, reforçar o ângulo, são pequenas frestas abertas para a mentira , nem que seja a mentira sobre o talento do fotógrafo.