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Uma mudança no Público

Julho 4, 2008

“Os testes de Português podiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola”. O título de uma notícia no site do Público, hoje, causa espanto. A linguagem é coloquial, longe do que estávamos habituados, e prometia ser o início de uma nova forma de escrever; convenhamos, mais próxima do que são as necessidades do público de sites informativos. Mas não, tratava-se de um artigo de opinião de Maria Filomena Mónica. O que também é bom.

Ao colocar um artigo de opinião no mesmo seguimento das notícias da front page, sem destacar se é opinião ou informação noticiosa, o Público abre um precedente que lhe permitirá obter mais leitores e mais interacção com os leitores habituais, visto que um dos handicaps do site era a Opinião estar fechada por pagamento. E, ao mesmo tempo, quebra a hierarquia de informação habitual, baseada em breaking news, seguindo uma tendência que outros jornais têm explorado e com sucesso: a de que é preciso dar alguma voz ao meio, para promover o diálogo com o leitor. A lógica baseia-se no facto de que as pessoas respondem mais à opinião de outras pessoas (mesmo que sejam opinion makers) do que às hard news.

Outra questão a reter é que o Público não o faz de forma inocente. Os leitores são um mercado, ou melhor, um conjunto de vários mercados. Um dos mais fanáticos é o dos professores. O texto coloca-se em crítica sobre as orientações do Ministério da Educação nos exames de Português e ao fazê-lo está lado a lado com alguns professores na crítica às instâncias governamentais. Sendo este um dos grupos que mais lê e se informa, e a autora do texto uma das vozes mais críticas no panorama da educação, não admira que tenha o número de comentários que tem.